A flor verde por que os doentes (des)esperam está a chegar

A flor verde por que os doentes (des)esperam está a chegar

Ana Rita usa em SOS e a mãe garante que faz milagres. Carla reduziu as convulsões da bebé logo na primeira toma. Pedro, tetraplégico, deixou de ter os espasmos que o atiravam cadeira fora. Margarida não ia aprender a ler, mas, afinal, é uma criança praticamente normal. Cristina gasta mais de mil euros por mês a tentar derrotar o cancro. Numa altura em que as farmácias vão começar a vender flor seca de canábis, as histórias, as dificuldades e os medos dos doentes que já recorrem aos canabinoides para reduzir sintomas e dores diabólicas.

Ana Rita entra na cozinha, abre o frigorífico e mostra o frasco com o óleo que faz “milagres”. Aquele líquido amarelo foi adquirido na Internet por 125 euros. Em fases mais críticas, chegou a gastar duas embalagens por mês, mas agora está há mais de dois meses sem usá-lo. Guarda-o como se fosse ouro, embora nunca tenha assistido ao vivo ao “milagre” do óleo de canabidiol (CBD), um dos principais componentes da planta de canábis. Quando tem convulsões, perde a consciência. E é a mãe quem lhe coloca umas gotas dentro da boca, junto aos dentes, tão cerrados que quase racham. A mãe garante-lhe que “é um milagre”. Porque acaba-se aquele transe, o corpo relaxa e o pesadelo fica por ali. Ana Rita é médica e ri-se com a expressão, mas sabe que tudo o resto é verdade. Há centenas de doentes em Portugal que recorrem a produtos à base de canábis para aliviarem dores e espasmos provocados por certas doenças, para eliminarem efeitos adversos de tratamentos, para reduzirem convulsões e ganharem qualidade de vida. A maior parte destes preparados têm THC (tetrahidrocanabinol, a substância da canábis com efeito psicoativo) e CBD, os dois principais canabinoides da planta também conhecida como marijuana. A utilização de substâncias à base de canábis para fins medicinais, quando os tratamentos convencionais não funcionam ou provocam efeitos adversos relevantes, está prevista na lei desde 2018. Mas as limitações no acesso têm sido muitas. Até agora só há um medicamento disponível nas farmácias, com participação aprovada. O Sativex tem indicação para adultos com esclerose múltipla, mas o preço – 300 euros por frasco, já com comparticipação – é inacessível para muitos doentes. No dia 1 de abril, vai chegar às farmácias a flor seca da canábis, da empresa Tilray, com uma concentração de 18% de THC e menos de 1% de CDB. Não é considerado um medicamento, mas um preparado para inalar com um vaporizador certificado, e poderá ser usado em seis das sete indicações terapêuticas que, segundo a lei, podem beneficiar destas substâncias [ler caixa]. Este produto vai ser vendido, com receita médica, em sacos de 15 gramas por 150,87 euros, sem comparticipação porque não é um medicamento. “Seguramente várias dezenas de milhares de doentes são elegíveis” para o novo produto, acredita José Tempero, diretor global dos assuntos médicos da Tilray. Quase especialista em Medicina Geral e Familiar, Ana Rita Andrade tem uma esclerose múltipla que lhe provoca espasmos na bexiga e incontinência. Em 2016, começou a estudar as propriedades dos canabinoides e, entretanto, desenvolveu epilepsia. Foi aí, quando andava a saltar de medicamento em medicamento e de crise em crise, que decidiu experimentar o óleo de canabidiol. Ana vive com os pais, em Gaia, e chegou a ir a Vigo, aos clubes sociais espanhóis, onde é permitido a aquisição de canábis para fins recreativos e terapêuticos, comprar flor seca. Passava na fronteira a medo, com receio de ser parada. Nunca aconteceu. Com um vaporizador fazia uma a duas inalações, sempre que sabia que ia para um local sem casa de banho. E funcionava. Mais recentemente, começou a comprar o óleo de CBD pela Internet. De momento, tem as duas doenças controladas e recorre ao frasco que está no frigorífico apenas em SOS. Mas o óleo nem sempre é igual e as análises à sua composição são pouco credíveis. Este é um dos problemas que os doentes enfrentam e que a venda autorizada nas farmácias vem resolver. Deixar de recorrer ao mercado negro e ter acompanhamento médico na toma destes produtos são outras vantagens por que todos anseiam. Este ano, criou um consultório online para esclarecer e ajudar doentes à deriva, que usam canábis em patologias sem indicação, tomam doses acima do recomendado, misturam erva com outros fármacos, desconhecendo os riscos de interação.

A maior parte dos contactos vem de adultos em tratamento oncológico, doentes que não conseguem controlar a dor e também de pais de crianças com epilepsias. Sempre que necessário, Ana Rita articula-se com médicos de outras especialidades. Os contactos chegam de todo o país e até do estrangeiro. “Desde a aprovação da lei, os benefícios da canábis começaram a ser encarados como milagres, mas não é bem assim. É uma arma terapêutica, não é a solução para todos os males”, resume.

UM NEGÓCIO DE MILHÕES

Além da flor seca da Tilray, o Infarmed está a avaliar outros dois pedidos de autorização de colocação no mercado (ACM) para flor de canábis inteira seca. Mas há mais produtos a fazerem caminho para chegar às farmácias. “A Tilray está empenhada noutras fórmulas farmacêuticas, nomeadamente soluções orais [óleos], e flores com CBD”, refere José Tempero, da empresa canadiana. Os processos para ACM estão a ser preparados, acrescenta. A empresa Sabores Púrpura, sediada em Coimbra, mas com plantações em Tavira, está a aguardar uma fiscalização do Infarmed para avançar com o pedido de comercialização de um óleo de canábis com THC (indicado para doentes oncológicos, entre outros) e outro com CBD (para epilepsia). “Os óleos estão prontos. Assim que forem autorizados, podem ser distribuídos”, assegura Sofia Ferreira, uma das proprietárias e responsável pelo “compliance” da empresa. Os primeiros produtos foram produzidos no estrangeiro, com as plantas da Sabores Púrpura. A história da empresa, única 100% portuguesa autorizada a cultivar canábis no país, cruza-se com a da família. Sofia e Miguel Pereira da Silva têm sete filhos. O mais novo, agora com seis anos, começou a ter convulsões aos 12 meses. Sem uma doença diagnosticada, os pais só sabiam que, em vez de febre, quando surgia uma gripe ou amigdalite, o Zé fazia convulsões. “Não há nada pior do que ver um filho ter uma convulsão. É como se o Mundo fosse desabar”, compara Sofia. Partiram para a pesquisa e rapidamente foram dar à canábis medicinal. “Percebemos que o mercado não era seguro. Mandámos testar alguns óleos de CBD e confirmámos os nossos receios”, conta. Encontraram pesticidas e metais pesados nas amostras, substâncias que só se detetam se forem pesquisadas nas análises. “Esta planta absorve tudo e não expele. Já foi usada em Chernobyl para limpar os solos, é uma autêntica esponja”, exemplifica Sofia. Foi então que os pais do Zé decidiram substituir o cultivo de morangos pela canábis. “Grosso modo, viemos parar a esta indústria porque sabemos o que se passa na produção.” Além da canadiana Tilray e da portuguesa Sabores Púrpura, há atualmente mais oito empresas autorizadas a cultivar canábis para fins medicinais, de Braga ao Algarve, num negócio que vale muitos milhões de euros. A nível mundial, a Tilray teve receitas acima dos 176 milhões de euros em 2020, mais 26% do que no ano anterior. Em Portugal, a empresa já investiu 20 milhões de euros e contratou até ao momento cerca de 200 trabalhadores. Antes da pandemia, estimava-se que o investimento total dos projetos de canábis medicinal em Portugal anunciados até 2024 alcançaria os 500 milhões de euros, com a criação de cerca de 1 500 postos de trabalho.

A “Notícias Magazine” perguntou ao Infarmed quantos pedidos para cultivo de canábis aguardam autorização, mas não obteve resposta. O regulador apenas informa sobre as autorizações já concedidas. Das dez empresas autorizadas, a maioria aposta na exportação da planta para outros países.

MÉDICOS ACONSELHAM ÓLEO DE CANÁBIS MAS NÃO AJUDAM NAS DOSES

Carla está de novo no hospital, com a filha internada. Já não faz contas às vezes que deu entrada naquelas urgências de Coimbra, nos últimos quatro anos. Isa era um bebé “perfeitamente normal” até que, aos dez meses, uma primeira febre anunciou o pesadelo. Durante vários dias, teve convulsões seguidas, tantas que Carla nem conseguia olhar. “Chegou a ter 70 por dia e o cérebro ficou com imensas lesões.”Foi diagnosticada com F.I.R.E.S (Febrile Infection-Related Epilepsy Syndrome, na sigla em inglês), uma síndrome rara que deu origem a uma epilepsia refratária. Carla leu tudo o havia para ler sobre a patologia e investigou sobre o CBD e os seus benefícios na redução de crises epiléticas. Ninguém a ajudou ou aconselhou, nenhum médico português lhe deu a mão, mas decidiu arriscar. “Mal comecei a dar o óleo, notei diferenças significativas”, garante. Antes, Isa tinha crises a cada duas a três horas, mal dormia. Quando tomou as primeiras gotas, esteve 15 dias sem uma única convulsão. “Só um pai que já teve um filho com convulsões percebe a verdadeira dimensão disto”, suspira. As crises caíram para menos de metade e Carla começou a reduzir as enormes quantidades de epiléticos e outros fármacos, “verdadeiras drogas”, que mantinham a bebé numa prostração imensa. Ainda hoje, os médicos sussurram-lhe “mantenha o CBD”, mas ninguém a ajuda nas dosagens ou adverte sobre possíveis interações. É Carla que faz esse trabalho, estudando e pesquisando o que há de novo sobre os canabinoides para ajudar a filha e outros doentes. É presidente do Observatório Português para a Canábis Medicinal e considera a aprovação recente do Infarmed um passo histórico. “Se estes produtos aparecerem na farmácia, os médicos não têm como não ajudar os doentes”, conclui. Embora a flor seca da Tilray não tenha indicação para a patologia de Isa, Carla fica “feliz pelos outros”. E acredita que, depois deste passo, os próximos serão mais fáceis.

ONCOLOGISTA ACONSELHA CANÁBIS NA MANTEIGA

Oncologista e hematologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Paulo Freitas Tavares não está tão otimista. Admite ter “sérias dúvidas” sobre a utilidade do produto da Tilray “por ter muito THC e pouco CBD”. “Estudos recentes indicam que é a mistura dos canabinoides que funciona”, o chamado “efeito entourage”, explica. Por outro lado, o facto de a composição da flor seca não vir detalhada no panfleto do Infarmed deixa-o desconfiado. “Eu não vou prescrevê-lo”, afiança. Já Artur Aguiar, radioncologista do IPO do Porto, revela que o vai prescrever. “Tenciono prescrevê-lo, mas temos de ter em conta que uma composição com 18% de THC pode ser adequada para tratar certas condições, mas não vai ser a solução para tudo”, adverte. Por outro lado, avisa, se não for feito um acompanhamento quase diário, corre-se o risco de o doente abandonar a terapêutica por causa dos efeitos secundários. “Na oncologia, terá a sua utilidade, mas é preciso muita prudência”, aconselha. O novo produto é um primeiro passo. Outros serão necessários para melhorar a resposta aos doentes. A formação dos profissionais de saúde também terá de aumentar. “A maioria dos médicos sabe muito pouco sobre o assunto, não é um tema abordado na formação e devia ser.” Sobre o efeito “entourage”, José Tempero, da Tilray, diz que se trata de uma teoria que ainda carece de confirmação científica. Já quanto à composição do produto lembra que a absorção por via inalatória usa quantidades muito baixas e minimiza o risco de intoxicação. De resto, sublinha, a esmagadora maioria dos ensaios clínicos com flor seca são com THC e não com CBD. Há 30 anos que Paulo Freitas Tavares recomenda aos seus doentes o recurso à canábis para eliminarem os efeitos secundários dos tratamentos do cancro, em especial a perda de apetite. “Há doentes que, se não for a canábis, não conseguem mesmo comer, ficam desnutridos, impossibilitados de fazerem os tratamentos e morrem”, garante o oncologista. Alguns fumam erva ou haxixe, mas “o mais usual é misturarem umas gotas de óleo na manteiga e porém numas tostas”. Os resultados são rápidos. “Ganham apetite e energia para aguentarem os tratamentos.” Quando os doentes ou familiares resistem a usar canábis, não só insiste como assume ser “mesmo chato”. “E quando dizem que não sabem onde comprar, digo-lhes para pedirem aos filhos ou aos sobrinhos para arranjarem nos bares ou à porta da escola. Se não o fizerem, vão morrer.” Para Paulo Tavares, a canábis é uma arma terapêutica muito importante e como tal “deveria ser disponibilizada gratuitamente aos doentes nas farmácias hospitalares, assim como todos os medicamentos para as doenças graves”. O oncologista lamenta que, num país que aprovou uma lei que permite o uso medicinal desta planta, ainda haja “polícias a perseguir quem tem dois pés de canábis em casa”.

TROCOU COCKTAIL DE FÁRMACOS POR ERVA COMPRADA A TRAFICANTES

Pedro Andrade, paraplégico, compra canábis na rua para aliviar os espasmos e as dores

Verão de 2007. Pedro Andrade tinha 28 anos e era nadador-salvador num hotel de Vilamoura, no Algarve. Numa manhã, quando se dirigia para o trabalho, um carro atravessou-se à frente da mota e interrompeu-lhe o curso normal da vida. Esteve 13 meses internado, quatro em reabilitação física, e ganhou sequelas para sempre. Ficou paraplégico, com total ausência de sensibilidade e de movimento nos membros inferiores. Os espasmos vieram dois a três meses depois do acidente e com eles um “cocktail” de medicamentos antiespasmódicos, relaxantes musculares e ansiolíticos, em doses crescentes e efeito praticamente nulo. Nas sessões de reabilitação, ouviu enfermeiros falarem entre dentes sobre os benefícios da canábis na espasticidade. Nem queria acreditar. Na juventude tinha fumado uns “charros”, mas há anos que deixara aqueles consumos recreativos. Quando a sugestão partiu da médica fisiatra que o seguia, decidiu experimentar. “Na primeira vez, os meus pais foram testemunhas. Estavam habituados a ver-me quase a saltar da cadeira de rodas, com espasmos e dores, e ficaram impressionados”, recorda. Durante duas a três horas, o corpo ficou relaxado, as dores passaram. Desde então, manteve o consumo e trocou o “cocktail” de fármacos pela canábis. O mais penoso é obtê-la. Chegou a cultivar a planta em casa, arriscando ser detido, mas perdeu tudo. “Saltaram o muro e roubaram-mas”, conta. Agora compra na rua, nos bairros, ao lado dos toxicodependentes que consomem heroína e cocaína. Para ter acesso à erva que lhe tira as guinadas, pontadas, choques e contraturas musculares, é forçado, tal como muitos outros doentes, a frequentar os ambientes mais degradantes do submundo algarvio, provavelmente vigiados pelas autoridades. “Arrisco-me a ser apanhado pela Polícia, a ser considerado um traficante porque tenho mais droga do que posso, mas também não quero estar sempre a ir a esses sítios”, desabafa. A qualidade do produto é outro problema. Já comprou erva com bolor, com bicho e sabe-se lá mais o quê. Aos 41 anos, Pedro Andrade, nascido em Paranhos, no Porto, e a viver no Algarve desde os sete, fuma a canábis mesmo sabendo que lhe prejudica as vias respiratórias. “Já era fumador de tabaco ”, justifica.

Paula Mota com a filha Margarida, que tem epilepsia refratária e usa óleo de CBD para reduzir crises

Se o novo produto da Tilray lhe for prescrito, admite mudar os hábitos. Deixar de comprar na rua e ter a certeza de que está a consumir um produto com qualidade controlada fazem toda a diferença. “Prefiro mil vezes pagar pela flor seca da Tilray do que pela erva comprada na esquina.” Ao contrário de Pedro, Paula ainda não terá como comprar de forma legal o preparado que a filha precisa para crescer com menos convulsões e sem os fármacos que lhe atrasaram o desenvolvimento. Com uma epilepsia refratária causada por uma mutação genética, Margarida preenche 12 anos no calendário e um pouco menos em termos psicomotores. Nada de especial face ao cenário que lhe traçaram em pequena. “Chegaram a dizer-me que não seria capaz de ler, que teria uma evolução muito lenta”, rebobina Paula Mota. Isso foi antes do óleo de CBD. As primeiras gotas tomadas aos oito anos marcaram uma nova fase na vida de Margarida. Crises menos prolongadas e mais espaçadas e tantas melhorias a nível cognitivo que deixaram os pais boquiabertos. “Hoje tem uma vida praticamente normal, apenas alguns cuidados especiais para evitar traumatismos cranianos”, relata a mãe. Paula aconselha-se com médicos estrangeiros, compra os frascos pela Internet mas só em países da União Europeia. “Sei que no Canadá há um medicamento mais adequado, mas não posso arriscar a que fique preso na alfândega e, ainda pior, a ter de interromper o tratamento”, explica. A esperança é que surjam novos produtos em Portugal porque “há muitas crianças a precisar disto, muitas mais do que as pessoas imaginam”.

À PROCURA DE RESPOSTAS QUE A CIÊNCIA AINDA NÃO DÁ

A última encomenda de Cristina Costa chegou num frasco de óleos essenciais e com um cartão: “Happy birthday”. Não fazia anos, mas deixou-a feliz. A embalagem e a mensagem insuspeitas cruzaram o oceano, ludibriaram o controlo alfandegário e chegaram a Lisboa. O frasco com óleo de THC e de CBD foi-lhe enviado por umas amigas californianas, que garantem ter ultrapassado o cancro com o preparado que produzem em casa. Cristina tem 45 anos e reside em Torres Vedras. Em 2015, foi-lhe diagnosticado cancro da mama, os tratamentos foram um sucesso e passou quase dois anos convencida de que a guerra estava ganha. Mas não. Em 2018, a doença voltou em força, espalhou-se pelos ossos e fígado. Foi aí que passou à pesquisa e encontrou, na Califórnia, “duas pessoas que se curaram com canábis, tinham três a quatro meses de vida e agora não têm doença ativa”. Ex-proprietária de uma empresa de cosméticos e de cabeleireiros, Cristina não desistiu da quimioterapia, mas é na canábis que procura a cura. Apesar dos avanços na investigação, esta é uma resposta que a ciência ainda não dá. “Há relatos pontuais de doentes que tiveram sucesso neste cancro ou noutro e acredito que alguns tenham fundamento, mas hoje ainda não há evidência que nos dê segurança para dizer que este cancro se trata com este canabinoide e com esta proporção”, nota Paulo Tavares. O médico que segue Cristina no IPO de Lisboa está ao corrente de tudo o que a doente toma e das terapias que faz para tentar derrotar o cancro. E não é pouco. Ozonoterapia, auto-hemoterapia, vitamina C injetável, vitamina E, magnésio, zinco, curcuma, probióticos, tintura de cogumelos, batidos de aloé vera e, o mais surpreendente, desparasitante de animais. Gasta mais de mil euros por mês num “cocktail” de substâncias, com eficácia, segurança e reações desconhecidas. “Se tenho medo das interações? Tenho medo, tenho. Mas e se isto me salvar?”, questiona. Cristina, Paula, Pedro, Carla e Ana Rita têm muitos medos e angústias. Da mistura da canábis com medicamentos, da má qualidade dos produtos ilegais, da falta de acompanhamento médico, do mercado negro, da Polícia. E também têm medo que passe demasiado tempo até que novas soluções “milagrosas” cheguem às farmácias e fiquem acessíveis para os doentes.

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Fonte: Notícias Magazine – Jornal de Notícias