Fibromialgia – Deficiência Endocanabinóide Clínica – Parte III

Fibromialgia – Deficiência Endocanabinóide Clínica – Parte III

Um estudo realizado na Alemanha, não controlado (porque não conseguiram a aprovação ética para o uso de placebo), mas 9 doentes de fibromialgia receberam 2.5 a 15 mg de THC por dia durante 3 meses. Devido à necessidade de aumento da dose, 5 dos 9 participantes saíram do estudo por efeitos adversos, e apenas 4 completaram o estudo e os resultados mostram que não houve alterações na alodinia tátil ou hiperalgesia à picada, mas houve uma redução significativa da perceção da dor nestes doentes.Se olharmos para os 4 doentes com fibromialgia que completaram o estudo, e comparando o seu benefício na dor, observamos que houve uma diferença estatisticamente significativa.Num estudo clínico, realizado com humanos, levado a cabo no Canadá, a nabinola, um análogo sintético do THC mais potente que o próprio THC, com cerca de 10 vezes a potencia do THC, podemos observar que houve benefícios ao nível da dor, ansiedade e no Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ). Foi um estudo com 40 doentes de fibromialgia a quem foi administrado, o equivalente a 20mg de THC por dia. Observou-se uma melhoria estatisticamente significativa nas 3 áreas estudadas.

Em outro estudo canadiano, foi novamente observado o efeito da nabilona relativamente ao sono, em 31 doentes, comparada à amitriptilina. A nabilona foi superior à amitriptilina no Índice de Gravidade da Insónia (ISI – Insomnia Severity Index), contudo, na dose que foi administrada, nenhum efeito benéfico a nível da dor, humor ou da qualidade de vida foi observado.

Num ensaio clínico, realizado em Barcelona, com 28 doentes sob canabinóides versus 28 controlos, observaram o efeito de canábis fumada, através da Escala Visual Analógica (EVA), mostrando melhorias estatisticamente significativas relativamente à dor, rigidez, relaxamento, e aumento da sonolência e sensação de bem-estar. Apresentaram também algumas melhorias no questionário de qualidade de vida SF-36. Contudo, este é um estudo pequeno e sem inferências sobre resultados a longo prazo.

É útil analisar um estudo observacional em Israel, com 26 doentes sob 26g por mês de flor seca de canábis, menos de 1g por dia, administrada principalmente por via inalatória fumada.

46% reportaram melhoria na capacidade de trabalho tendo regressado à sua atividade laboral e houve uma grande poupança na administração de opióides ou tratamento adjuvantes.

Talvez o mais impressionante seja este estudo, que é um questionário do National Pain Report que incluiu mais de 1300 doentes de fibromialgia. Na altura em que foi realizado 3 fármacos aprovadas pela FDA para o tratamento da fibromialgia: duloxetina; milnaciprano e pregabalina. Como podemos ver aqui, os pacientes reportaram, a maioria das vezes, que os efeitos terapêuticos da duloxetina, do milnaciprano e da pregabalina era poucos, mas 62% descreveram como muito eficaz e apenas uma pequena minoria de 5% respondeu que não sentiu alívio da dor.

Este estudo mostra um grande fosso entre a eficácia dos tratamentos convencionais até agora aprovados e a grande eficácia dos canabinóides, no tratamento desta patologia e da dor.